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A VIOLÊNCIA NO NAMORO

Novembro 24, 2009

A  violência no namoro está a chegar às esquadras da PSP e aos postos da GNR. No ano passado, as forças de segurança registaram 104 queixas – 97 com raparigas como vítimas e sete com rapazes.

Já se sabia que a violência persistia nas novas gerações. Revelara-o o estudo Violência física e psicológica em namoro heterossexual – coordenado pelas psicólogas Carla Machado, Marlene Matos e Carla Martins – sobre “violência nas relações de intimidade” entre jovens dos 15 aos 25 anos.

As investigadoras encontraram níveis de violência muito próximos dos encontrados entre adultos. Um em cada quatro dos 4730 inquiridos admitiu já ter sido vítima, pelo menos uma vez, de algum comportamento abusivo por parte do namorado ou namorada – 20 por cento violência emocional (insultos, ameaças, jogo psicológico e coerção) e 14 por cento agressão física. E 30 por cento admitiram já ter agredido o parceiro – 23 por cento agressão física e 18 emocional.

Agressores e vítimas tendiam a não entender a violência como inaceitável. Desculpavam-na. Na pequena violência não havia diferença de género. A diferença instalava-se, porém, quando o namoro se aprofundava.

Foi na sequência deste estudo que a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género lançou em 2008 uma campanha sobre a violência no namoro, lembra a agora secretária de Estado da Igualdade, Elza Pais. Satisfeita: “A nossa campanha é inovadora no quadro europeu e internacional. Acabo de chegar de Madrid, onde estive a participar num congresso sobre juventude e violência de género: a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa pediu para usar versões adaptadas”.

A responsável governamental vê nestas queixas um reflexo dessa campanha de sensibilização e do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido por organizações não governamentais nas escolas. Marlene Matos consente. Já por isso, não lhe parece um acaso que Viana do Castelo (19) seja o distrito com mais queixas, seguido por Aveiro (17) e Lisboa (14).

A violência no namoro, realça a investigadora, que integra a Unidade de Consulta de Psicologia da Justiça, é um fenómeno novo em termos de discurso. Com o aumento de informação, o comportamento abusivo de namorados ou namoradas começa a ser percebido pelas vítimas como o que é: como um crime. Antes disso, é visto como um sinal de amor.

A mudança não acontece numa geração. “Atrás da violência está um problema cultural, histórico“, explica Maria José Magalhães, presidente da União de Mulheres Alternativa e Resposta e investigadora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação Universidade do Porto. Fala na ideia de amor cego, no sentimento de posse, da visão de mulher enquanto propriedade.
Blocosdevida partilha da opinião de Maria José Magalhães, investigadora da Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto e acrescentaria que para esta mudança ser “agilizada”, e coloco a palavra agilizada entre aspas, seria prudente cultivar nas nossas escolas uma outra Ética , que não esta. Ainda bem que existem estudos que mostram o que muitos de nós já  há anos temos vindo a denunciar.

– Mas, afinal quando falamos de Educação, do que é que ouvimos falar com mais frequência?

Aprendizagens da leitura,  escrita, matemática, inglês, computadores. Estes serão, talvez, os pré-requisitos para se entrar no mundo do trabalho, quando se é largado nele. Entretanto, as influências sociais vão formatando as cabeças desde a infância. E , agora não desisto de insistir e questionar (até que a mão me doa):

 Vamos permitir que se continue com esta educação, do educar por fora e para fora deixando o centro livre?  O que é que se anda para aí a negociar com o Ministério da Educação? Não gosto do conceito de negócio para a Educação.

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