Archive for the ‘Género’ category

MULHERES E BLOGOSFERA

Dezembro 21, 2009

Li recentemente um estudo interessante sobre Mulheres e Blogosfera: Contributo para o estudo da presença feminina na «rede». Das considerações finais, faz parte esta afirmação: ” …há dados que apontam, contudo, para a repetição na blogosfera da desigualdade de género”. E coloca a seguinte pergunta: “Quais os motivos que estão, então, na origem no aparente baixo nível de participação das mulheres na blogosfera?”

Parece-me, óbvio, que as mulheres  não  possuem a disponibilidade de participação dos homens. Mantém-se a invisibilidade estatística dos espaços domésticos e públicos das mulheres.

Quanto à questão colocada no mesmo artigo “Será que os blogues das mulheres se concentram, de facto, em determinadas áreas tradicionalmente conotadas com a esfera feminina ou são os espaços dedicados a outras temáticas que não são (re)conhecidas?

A minha escolha incidiria na segunda alternativa. Para que determinadas temáticas venham a ser (re)conhecidas, será necessário apostar forte na Educação, numa outra forma de educar, que não é seguramente o caminho que se tem vindo a trilhar.

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CASAS-ABRIGO SÃO INSUFICIENTES PARA ACOLHER VíTIMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Dezembro 16, 2009

Portugal possui, actualmente, 36 casas-abrigo para acolher mulheres e crianças vítimas de violência doméstica, encontrando-se o interior do país a descoberto.

Ficamos a saber ,pela  secretária de Estado para a Igualdade,  o preocupante aumento deste flagelo social que, paulatinamente, tem vindo a ser descoberto .

“Nos primeiros seis meses do ano, PSP e GNR registaram 14.600 participações de violência doméstica, o que significa um aumento de 12 por cento face a igual período do ano anterior.” Todos os dias, uma média de 80. A violência doméstica tornou-se crime público em 2000. A coragem para romper o silêncio tem estado em crescendo. As forças de segurança registaram 11.162 ocorrências em 2000, 12.697 em 2001, 14.071 em 2002, 17.527 em 2003. A tendência sofreu uma ligeira quebra em 2004: 15.541. E logo recuperou: 18.193 em 2005, 20.595 em 2006, 21.907 em 2007, 28.381 em 2008. “

CRIASnotícias

Não nos causa surpresa  que o país não se encontre preparado para dar resposta a todas estas situações, não obstante as boas vontades das instituições mais vocacionadas para esta problemática.

A DESCOBERTA DA PÍLULA

Dezembro 9, 2009

A descoberta da pílula, nos anos 60, foi o acontecimento mais revolucionário dessa década.

-Porquê?

-Porque permitiu à mulher tomar, na sua mão, as seguintes decisões:

  • Quantos/as filhos/as deseja e pode ter
  • Quando
  • De quem

A esta descoberta reagiram, de imediato, as vozes dos Velhos do Restelo, advertindo para o reforço da “promiscuidade à qual por natureza, elas já são inclinadas”.

A ideologia machista punha, assim, as garras de fora, como se as mulheres fossem mais promíscuas do que os homens!

Imagine-se a má fé “de certa gente” que, ao abrigo da “descoberta da pílula” procurou lançar a confusão, numa área tão sensível como “evitar uma gravidez indesejada”, alimentando e apontando para os possíveis perigos das mulheres passarem a gozar de autonomia para terem relações sexuais com todo e qualquer homem!

A década de 60 fica também na História pela implementação dos Estudos das Mulheres nas universidades americanas e canadianas.

A geração dos Direitos Sexuais e Reprodutivos não foi sujeito destas mudanças. Há que lhes dizer que a História que lhes é ensinada é a História dos Homens porque a das Mulheres ainda há pouco se começou a fazer.

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA EM MOMTEMOR-O-VELHO: O NOSSO TESTEMUNHO

Novembro 30, 2009

A Associação Fernão Mendes Pinto, sediada em Montemor-o-Velho, tem de há alguns anos a esta parte, vindo a realizar um trabalho notável na área da violência doméstica. Conhecemos, in loco, o empenho das/os profissionais ligados a esta área. Para além do Gabinete de Atendimento à Vítima, têm trabalhado a prevenção através de palestras, debates de filmes, teatro, acções de formação, materiais informativos e outras actividades culturais.

Blocosdevida  analisou e colaborou com o projecto Violência entre Laços (Violence Between Bounds), projecto co-financiado pelo Programa Daphne, em parceria com Barcelona, Asturias e Finlândia.

Blocosdevida guardou os registos das dificuldades, então identificadas, e relembra:

1. A resistência das pessoas ameaçadas pela mudança;

2. Falta de recursos e financiamentos;

3. As barreiras que perpetuam as desigualdades históricas;

4. As atitudes e tradições sociais altamente enraízadas;

5. Ênfase na necessidade de programas específicos a desenvolver ao nível do sistema educativo português no domínio da violência.

Entretanto, sabemos que está em curso o programa Tempus, (penso que ) sucessor do programa anterior. É muito comum, em Portugal,

uma cultura de Programas, que duram enquanto duram. Depois, o que resta? Algumas sementes, lançadas a esmo, com tanto esforço de “alguns carolas” e que são esboroadas pelo vento, num qualquer dia de ventania.  Não foi este o caso da Associação Mendes Pinto, que agarrou com força e determinação a violência doméstica em Montemor-o-Velho.

Blocosdevida associa-se, com grande pesar,  às famílias destas duas vítimas,  à população de Montemor e à Associação Fernão Mendes Pinto.

HOMEM MATA A TIRO A MULHER E MILITAR DA GNR

Novembro 29, 2009

29.11.2009 – 13:27 Por Lusa

” Um homem de 41 anos matou hoje a tiro a mulher, que se encontrava dentro de uma ambulância, e um militar da GNR em Montemor-o-Velho, no distrito de Coimbra, disse à agência Lusa fonte da corporação. O comandante do Destacamento da GNR de Montemor-o-Velho adiantou à agência Lusa que um segundo militar foi baleado na anca, encontrando-se hospitalizado mas livre de perigo.

Segundo o alferes Nogueira, a mulher, “com sinais de agressão”, apresentou queixa contra o marido por violência doméstica esta manhã no posto da GNR de Montemor-o-Velho, tendo os militares de serviço chamado uma ambulância para que fosse observada no Instituto de Medicina Legal. “A mulher ainda arrancou na ambulância mas o condutor foi obrigado a regressar ao posto da GNR por ameaça do marido que seguia no seu encalço”, explicou o oficial. Foi já com a ambulância parada junto ao posto da GNR que o agressor terá disparado uma caçadeira contra a mulher, atingindo-a mortalmente.

Detido pelos militares do posto, o homicida foi revistado no interior das instalações onde, de acordo com o alferes Nogueira, terá sacado de um revólver e atingido os dois militares.”

A NOSSA PROPOSTA

TOLERÂNCIA ZERO PARA A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Perante o  número de mulheres assassinadas por ex-namorados, namorados, companheiros e maridos a que temos assistido nos últimos dias, para não falar já das 51 assassinadas em 2008, blocosdevida propõe medidas preventivas céleres, a saber: prevenção primária, prevenção secundária e prevenção terciária.

1. Prevenção primária: Como?

CRIAR UMA CONSCIÊNCIA SOCIAL (HOMENS E MULHERES)

– Sensibilizar a sociedade em geral para trabalhar as falsas crenças que perpetuam este tipo de agressões. (Ex: Um homem precisa de mostrar à mulher quem é que manda logo desde o início, senão acabará dominado, um homem que bate na mulher nunca tem culpa, uma mulher só respeitará um homem que mande nela, etc). 

– Promover campanhas de divulgação: cartazes em locais públicos, como por exemplo, hospitais, centros de saúde, sindicatos, supermercados, hipermercados, etc.

–  Usar a televisão pública para: debates, filmes, peças de teatro, spots, etc

– Promover a eliminação dos estereótipos de género nas nossas escolas: sensibilizar, desde muito cedo, as crianças para a igualdade de género e para a não violência.

– Responsabilizar “os media” para o seu papel de Educadores/Comunicadores. Alertá-los para a necessidade de divulgarem a condenação do agressor para que a sociedade saiba que estes crimes não ficam impúnes.

2. Prevenção Secundária

– Identificar os grupos de risco, grupos considerados mais vulneráveis e dar-lhes apoio profissional.

3. Prevenção Terciária

– Dar apoio às mulheres(filhos e filhas) que sofreram violência ou estão a passar por situações de violência na família, proporcionando -lhes total protecção.

– Proporcionar acompanhamento psicológico às: vítimas, filhos/as e agressores. Se os agressores não forem tratados, a espiral de violência continuará com outras mulheres.

A VIOLÊNCIA NO NAMORO

Novembro 24, 2009

A  violência no namoro está a chegar às esquadras da PSP e aos postos da GNR. No ano passado, as forças de segurança registaram 104 queixas – 97 com raparigas como vítimas e sete com rapazes.

Já se sabia que a violência persistia nas novas gerações. Revelara-o o estudo Violência física e psicológica em namoro heterossexual – coordenado pelas psicólogas Carla Machado, Marlene Matos e Carla Martins – sobre “violência nas relações de intimidade” entre jovens dos 15 aos 25 anos.

As investigadoras encontraram níveis de violência muito próximos dos encontrados entre adultos. Um em cada quatro dos 4730 inquiridos admitiu já ter sido vítima, pelo menos uma vez, de algum comportamento abusivo por parte do namorado ou namorada – 20 por cento violência emocional (insultos, ameaças, jogo psicológico e coerção) e 14 por cento agressão física. E 30 por cento admitiram já ter agredido o parceiro – 23 por cento agressão física e 18 emocional.

Agressores e vítimas tendiam a não entender a violência como inaceitável. Desculpavam-na. Na pequena violência não havia diferença de género. A diferença instalava-se, porém, quando o namoro se aprofundava.

Foi na sequência deste estudo que a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género lançou em 2008 uma campanha sobre a violência no namoro, lembra a agora secretária de Estado da Igualdade, Elza Pais. Satisfeita: “A nossa campanha é inovadora no quadro europeu e internacional. Acabo de chegar de Madrid, onde estive a participar num congresso sobre juventude e violência de género: a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa pediu para usar versões adaptadas”.

A responsável governamental vê nestas queixas um reflexo dessa campanha de sensibilização e do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido por organizações não governamentais nas escolas. Marlene Matos consente. Já por isso, não lhe parece um acaso que Viana do Castelo (19) seja o distrito com mais queixas, seguido por Aveiro (17) e Lisboa (14).

A violência no namoro, realça a investigadora, que integra a Unidade de Consulta de Psicologia da Justiça, é um fenómeno novo em termos de discurso. Com o aumento de informação, o comportamento abusivo de namorados ou namoradas começa a ser percebido pelas vítimas como o que é: como um crime. Antes disso, é visto como um sinal de amor.

A mudança não acontece numa geração. “Atrás da violência está um problema cultural, histórico“, explica Maria José Magalhães, presidente da União de Mulheres Alternativa e Resposta e investigadora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação Universidade do Porto. Fala na ideia de amor cego, no sentimento de posse, da visão de mulher enquanto propriedade.
Blocosdevida partilha da opinião de Maria José Magalhães, investigadora da Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto e acrescentaria que para esta mudança ser “agilizada”, e coloco a palavra agilizada entre aspas, seria prudente cultivar nas nossas escolas uma outra Ética , que não esta. Ainda bem que existem estudos que mostram o que muitos de nós já  há anos temos vindo a denunciar.

– Mas, afinal quando falamos de Educação, do que é que ouvimos falar com mais frequência?

Aprendizagens da leitura,  escrita, matemática, inglês, computadores. Estes serão, talvez, os pré-requisitos para se entrar no mundo do trabalho, quando se é largado nele. Entretanto, as influências sociais vão formatando as cabeças desde a infância. E , agora não desisto de insistir e questionar (até que a mão me doa):

 Vamos permitir que se continue com esta educação, do educar por fora e para fora deixando o centro livre?  O que é que se anda para aí a negociar com o Ministério da Educação? Não gosto do conceito de negócio para a Educação.

SERÁ QUE PODEMOS EDUCAR O HOMEM POR FORA E DEIXAR O CENTRO LIVRE?

Novembro 17, 2009

Será que podemos educar o homem por fora e deixar o centro livre? Será que podemos ajudar o homem a ser livre interiormente, a ser sempre livre? Pois só nessa liberdade ele poderá ser criativo e, portanto, feliz. Caso contrário, a sua existência torna-se uma coisa tortuosa, uma batalha tanto interior como exterior. Mas para sermos livres interiormente é preciso um cuidado e uma sabedoria extraordinários.”

In “Cartas a uma jovem Amiga” de Krishnamurti

 Hoje, reli novamente as palavras sábias deste mestre, acessível a todos os tipos de público procurando apaziguar a revolta que senti ao ler a notícia que um jovem, licenciado pela Universidade de Coimbra, degolara a ex-namorada, (à frente do pai, que já nada pôde fazer) sua ex-colega, na noite de sábado para domingo. O namoro terminara há três anos e desde então, a jovem Carla Sofia Martins vivia sob ameaças. Sabemos também que Carla Martins era uma excelente aluna e tinha acabado de receber uma bolsa para um doutoramento em Bruxelas. 

Há cercas de dois anos, um aluno de Engenharia da FCTUC, degolou também a namorada e ex-colega. Este já foi julgado e encontra-se a cumprir a pena na prisão de Coimbra. Trata-se de um aluno excelente.

1. Será que a Academia da Universidade de Coimbra não questiona a violência que grassa no espaço da sua Torre?

2.Será que continua a dar luz verde às festas académicas, (praxes) pestilentas, em que o ÁLCOOL e a MÚSICA AOS BERROS esvaziam e ensurdecem a cabeça e os ouvidos de jovens e adultos, já para não falar da imundice em que ficam as ruas da cidade?!  (Nestas folias que duram dias, os estudantes universitários deixam à sua passagem, o lastro da urina e dos vómitos, caminham por cima dos carros estacionados, tocam às campainhas dos prédios e passeiam-se pelos elevadores deixando lá o odor pestilento a suor, álcool e urina).

– Óh Grande e Vil tristeza!

Já que existe, e Bem Necessária é, a Figura do Provedor do Estudante no Ensino Universitário, também proponho que passem a existir Associações de Pais/Mães, Encarregados/as de Educação do Ensino Superior. Revejam os estatutos, pois é caso para isso. E o Sr. Ministro do Ensino Superior reúna as suas hostes e siga a sua congénere, Ministra da Educação, que expedita foi, ao proferir, que sabe fazer e depressa.

Entretanto, a Dr.ª Isabel Alçada pode seguir o exemplo do Ensino Superior e fazer aparecer, a Figura do Provedor da Criança. Imagine-se que ” foi posta de pé”, em primeiro lugar ,a figura do Provedor do Estudante Universitário e “ não se levantou, porque já existiu e caiu” a figura do Provedor da Criança. Recordo que, à figura do Provedor da Criança cabe divulgar os direitos da criança, o seu conteúdo, os meios para seu exercício e colaborar com os órgãos competentes na procura de soluções adequadas aos legítimos interesses da criança bem como o aperfeiçoamento dos procedimentos específicos desta área.