A CIRANDA DA EDUCAÇÃO SEXUAL: EDUCAÇÃO SEXUAL NOS ANOS 60
Na revista da OMS (Organização Mundial de Saúde), de Julho – Agosto de 1969 , Gérald Lucas, passa em revista a formação em “Educação Sexual Moderna” na Suécia, Noruega, Dinamarca, França, Inglaterra, Suiça e Itália.
A minha escolha recai, por motivos óbvios, sobre Itália.
Itália: preparação de professores.
“ A Itália, país estritamente católico, está a fazer esforço bem planeado no campo da educação sexual. Sob a direcção do professor G: Galetti, oferecem-se 2 cursos por mês para a preparação de professores, médicos, visitadoras sociais, etc. Esses cursos estão sob os auspícios do Ministério da Saúde Pública e cobrem aspectos essenciais da educação sexual: anatomia, fisiologia genética, embriologia, etc. tratam também de psicologia, patologia, sexualidade e harmonia matrimonial e mostram como explicar esses tópicos a crianças de diferentes idades e antecedentes.
Um grupo de palestras trata, inclusive, das atitudes que várias religiões – católica, protestante e judaica – têm para com o sexo. As autoridades italianas são de opinião que o assunto é suficientemente delicado para justificar a especialização dos que terão a seu cargo a educação sexual dos jovens.”
Na mesma revista, o sexólogo Hugo von Dern recorda a “ hipocrisia e o rígido moralismo que durante tanto tempo cercaram a sexualidade”. “ a grossa parede de tabus, inibições e preconceitos erguida para sustentar a “ordem moral” foi arrombada por Sigmund Freud; ninguém conseguirá fechá-la de novo, completamente.
Este artigo da OMS, contribui para a compreensão da ignorância que continua a grassar no nosso país sobre a Educação Sexual, uma vez que, em termos globais, esta mal saiu da clandestinidade.